Berenice, segura e não solta.
Não solta porque é nesses momentos que eu mais gosto de escrever, momentos em que o álcool fala mais alto, em que a amiga está compartilhando momentos bêbada do outro lado do msn, em algum lugar na Urca. Ursa. Urra. URSS.
Eu poderia bem falar do tiozinho taxista com voz de robô, na qual, certa vez me assustou muito. Estava a velha em seu lugar, sentada no taxi, pensando na morte do cachorro da vizinha, ou no que comer no jantar, quando o senhor velhinho taxista puxa um....amnh....cilindro? do bolso, liga e começa aquele barulhinho de massageador.
-Whattafuck?
Pensei que obviamente o tio ia fazer uma massagem sei lá, na perna, no braço, ou apenas ligou o aparelho estranho por pura diversão. Mas ele virou pra mim e fez um comentário qualquer que eu REALMENTE NÃO OUVI, porque estava assustada demais vendo ele colocar o aparelhinho na garganta e falando com voz de robô.
Voz de robô, minha gente.
Algo grande demais para meu mundinho processar e me repassar como informação útil.
Daí que né? Fiquei olhando ele e respondendo um um "aham", "é", porque gente, o que vamos falar para um senhor de meia idade com voz de robô?
- Tio, o senhor me assusta, pára o carro que eu quero descer?
Pior que gente, oi? O tio era taxista. Toda pessoa in whole world sabe como é um taxista que se preze: "Opa, amiga vamos contar a história da minha vida, desde que saí de (preencha aqui algum estado do Nordeste) e vim tentar minah vida em São Paulo...".
Ca-guei pra sua história tio, quero é chegar em casa viva. Essa carro é pequeno demais para o eu, você e esse pseudo-vibrador que o senhor insiste em colocar na garganta.
E você sabe que é hora de parar de escrever quando você e sua amiga que está no mesmo estado alcoólico que você começam a lembrar quem engravidou de Luis Carlos Prestes, e começam a falar que a pobre da Olga era uma judia torta e genteeee, quanta maldade.
Eu devia ter feito todas as provas da minha vida (começando dos meus 14 anos, aonde iniciei minha vida junto às pequenas doses de pinga no boteco na esquina da escola), assim, just the way i am right now, porque jamais teria ficado os meus três anos de colegial em DP de matemática, e agora estaria dando aula de história para alunos mal criados, falando de judias tortas, francesas liberais, mexicanas deformadas e taxistas com voz de robô.
Berenice, segura a minha mão, abigã.